E ela virou-se, fixou sombriamente a luz parda do velho candeeiro e, sibilando e procurando refúgio e raiz numa cadeira, baloiçando a mão esquerda, para me deslocar no espaço e na mente, disse-me :
- Passada uns dias deixo de conseguir visualizar as pessoas... mentalmente, percebes? Lembro-me do cheiro e do gosto da carne e do tecido que a cobre, da voz, dos locais dos abraços, da pedra e do alcatrão e do mar, mas não da cara...por vezes o cabelo surge ou mesmo uma curva e um deslize na face, mas há um buraco que não me deixa ver tudo e que surge sempre em movimento quando finalmente consigo fixar um olho com as pestanas ajaezadas ou uns lábios que se encobrem envergonhados . Não consigo prender a geometria dos rostos e isso faz-me sentir perdida, como se nada me pertencesse e estivesse sempre ausente.
Fez-me uma festa, deixando cair as costas da mão sobre o pescoço nu, puxou-me a camisa até aos ombros, rebentando o botão de cima que se despediu da linha que teimosamente o prendia. Seria dela para sempre. Olhei para a vitrine, eles olharam para mim! Cerrei os olhos, o cutelo desceu.
- Passada uns dias deixo de conseguir visualizar as pessoas... mentalmente, percebes? Lembro-me do cheiro e do gosto da carne e do tecido que a cobre, da voz, dos locais dos abraços, da pedra e do alcatrão e do mar, mas não da cara...por vezes o cabelo surge ou mesmo uma curva e um deslize na face, mas há um buraco que não me deixa ver tudo e que surge sempre em movimento quando finalmente consigo fixar um olho com as pestanas ajaezadas ou uns lábios que se encobrem envergonhados . Não consigo prender a geometria dos rostos e isso faz-me sentir perdida, como se nada me pertencesse e estivesse sempre ausente.
Fez-me uma festa, deixando cair as costas da mão sobre o pescoço nu, puxou-me a camisa até aos ombros, rebentando o botão de cima que se despediu da linha que teimosamente o prendia. Seria dela para sempre. Olhei para a vitrine, eles olharam para mim! Cerrei os olhos, o cutelo desceu.

